Meio Termo

Já dizia Aristóteles: - o ideal é o meio-termo, Todos os excessos são considerados vícios. Excesso de coragem é a temeridade, a impulsividade. A falta de coragem é a covardia. Ambas são consideradas vícios. É preciso buscar o equilíbrio, que é a virtude, ou seja, a coragem em si.


Ricardo Noblat nasceu em 1949 e sua carreira jornalística começou quando ele ainda era estudante de jornalismo. É formado pela Universidade Católica de Pernambuco e seu modesto currículo inclui os cargos de editor chefe do Correio Braziliense (primeiro jornal brasileiro) e da sucursal do Jornal do Brasil, repórter dos jornais Diário de Pernambuco, Jornal do Commércio e O Globo alem de ter trabalhado em variados cargos nas revistas Manchete, Veja e IstoÉ. Escreveu três livros “A arte de fazer um Jornal Diário”, “O que é ser jornalista” e “Céu dos Favoritos”. Hoje Noblat tem um blog político no portal do jornal “O Globo”, que ele atualiza cada segunda-feira.

O livro “O que é ser jornalista” trata das memórias profissionais de Noblat. Mais do que isso trata das memórias pessoais dele e do Brasil. A história de nosso país se confunde com a do autor que conta que já foi preso em épocas de ditadura com mais 900 estudantes num congresso da UNE que fracassou. Em suas memórias pessoais, ele inclui a história da tia que surrou o marido porque esse a traía, e da felicidade que teve quando o papa João XXIII morreu. Não, Noblat não é cruel. Mas outra tia tinha pedido aos céus que trocasse a vida do papa, que estava muito doente, pela dela própria, de uma amiga paraplégica e a dele, Noblat. Mas o pedido não foi atendido, o papa morreu mesmo assim.

Fato interessante é que o capítulo “Na fronteira de 2 mundos” tem em sua maioria parágrafos com 10 linhas. Noblat nos conta histórias de cadeira de balanço. No Jornal do Brasil, foi promovido a repórter assistente, o antigo ocupante do cargo era Alceu Valença. Noblat nos leva a ruminar questões da profissão como a “neutralidade” que o jornalista tem que ter. Diz Noblat que toda notícia tem um ponto de vista. Logo não há neutralidade. O jornalista pode se omitir, mas “Se não serve para esclarecer, alertar, forjar consciências e contribuir para a construção de um mundo menos injusto e desigual, para que serve mesmo o jornalismo?


Deixo então aqui para que cada um pense. È possível realmente ser neutro? E isso ajuda ou atrapalha? Quem? Quem sofre mais com a omissão do jornalismo?

Amélia Lôbo

2 Solte o Termo!

  1. Anônimo  

    bom.. sinceramente eu acho praticamente impossivel ser "imparcial" ... quando construimos algo, criamos algo, dizemos algo, pomos nisso tudo um pouco do que somos, fomos e pensamos... mas a arte de tentar ao máximo dar libverdade para o leitor ter e absorver suas próprias idéias... isso eh fascinante!
    acredito nisso na publicidade, no jornalismo, no teatro, no direito, em casa...

    bjs sinceros!

  2. Anônimo  

    concordo por demais com o que já foi dito aqui sobre a necessidade de um maior caráter formador do jornalista como agente social e como sujeito social.

    entretanto, acho que precisa ser mais debatido esse contraponto a esse caráter engajador, como a pluralidade discursiva que uma neutralidade e uma imparcialidade podem trazer à uma informação. será que cabe ao jornalista ser muitos? um muito que, ao mesmo tempo, é nada? talvez, a verborragia de informações e conteúdos repassados à população só a confundem ainda mais sobre a realidade à sua volta que é sua própria construção.

    se a realidade, o mundo, o jornalismo são construções.. que vamos juntos, instigar as pessoas à percepção do mundo como exercício de descoberta do mesmo, não apenas como um olhar distante que enxerga através de lentes jornalística.

    mas aí cabe outra discussão tbm sobre o que se passa na tv, o lance da virtualidade e da distancia que as informações tomam das próprias pessoas.. um caráter alienativo..

    enfim, é muita coisa pra se debater. como sempre. e amém (:

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