Jornalismo é trabalhar com o imprevisível. Sabe-se que nessa profissão existe muito ensaio, preparo e seriedade. Mas apesar de todo esse esforço as coisas nem sempre saem como o planejado. Principalmente quando se trata dos jornais ao vivo, onde tudo pode acontecer no instante da reportagem ou apresentação.
Como o caso famoso da jornalista Lilian Fibe, que teve uma crise de riso ao noticiar o caso de uma senhora de 81 anos presa com o namorado de 56 traficando 10 mil comprimido de ecstasy, seu namorado alegava que se tratava apenas de Viagras. A gafe em poucos dias tornou-se sucesso na internet.
Lilian Fibe crise de riso ao vivo.
Algumas vezes a culpa não é de quem apresenta o jornal ou a matéria. Elementos inusitados podem surgir de qualquer forma, da mais discreta até a mais escandalosa. Cenas que só parecem acontecer em filmes de comédia, tornam-se realidade. Pérolas como a dos jornalistas dançando aos fundos na redação enquanto a ancora apresenta o jornal, celular do entrevistado tocando no momento da entrevista e do repórter tomando choque ao vivo.
http://br.youtube.com/watch?v=e9go1vedZPo
Jornalistas dançando na redação
http://br.youtube.com/watch?v=MW2LFZ6UV0U
Celular tocando na entrevista
http://www.youtube.com/watch?v=g7zEKXX3IqE
Choque durante a reportagem
Tudo isso prova que todo jornalista que trabalha ao vivo, deve ter jogo de cintura e paciência. E mesmo que o mundo caia em sua cabeça, deve permanecer firme e fingir que nada aconteceu. E acredite existem profissionais com essa capacidade e competência. Eles possuem a capacidade de contornar cenas constrangedoras e transformá-las em mérito.
Ferro cai sobre a cabeça da apresentadora
Por Maurício Amorim
Ricardo Noblat nasceu em 1949 e sua carreira jornalística começou quando ele ainda era estudante de jornalismo. É formado pela Universidade Católica de Pernambuco e seu modesto currículo inclui os cargos de editor chefe do Correio Braziliense (primeiro jornal brasileiro) e da sucursal do Jornal do Brasil, repórter dos jornais Diário de Pernambuco, Jornal do Commércio e O Globo alem de ter trabalhado em variados cargos nas revistas Manchete, Veja e IstoÉ. Escreveu três livros “A arte de fazer um Jornal Diário”, “O que é ser jornalista” e “Céu dos Favoritos”. Hoje Noblat tem um blog político no portal do jornal “O Globo”, que ele atualiza cada segunda-feira.
O livro “O que é ser jornalista” trata das memórias profissionais de Noblat. Mais do que isso trata das memórias pessoais dele e do Brasil. A história de nosso país se confunde com a do autor que conta que já foi preso em épocas de ditadura com mais 900 estudantes num congresso da UNE que fracassou. Em suas memórias pessoais, ele inclui a história da tia que surrou o marido porque esse a traía, e da felicidade que teve quando o papa João XXIII morreu. Não, Noblat não é cruel. Mas outra tia tinha pedido aos céus que trocasse a vida do papa, que estava muito doente, pela dela própria, de uma amiga paraplégica e a dele, Noblat. Mas o pedido não foi atendido, o papa morreu mesmo assim.
Fato interessante é que o capítulo “Na fronteira de 2 mundos” tem em sua maioria parágrafos com 10 linhas. Noblat nos conta histórias de cadeira de balanço. No Jornal do Brasil, foi promovido a repórter assistente, o antigo ocupante do cargo era Alceu Valença. Noblat nos leva a ruminar questões da profissão como a “neutralidade” que o jornalista tem que ter. Diz Noblat que toda notícia tem um ponto de vista. Logo não há neutralidade. O jornalista pode se omitir, mas “Se não serve para esclarecer, alertar, forjar consciências e contribuir para a construção de um mundo menos injusto e desigual, para que serve mesmo o jornalismo?
Deixo então aqui para que cada um pense. È possível realmente ser neutro? E isso ajuda ou atrapalha? Quem? Quem sofre mais com a omissão do jornalismo?
Amélia Lôbo